Efeito da roda compactadora submetida a diferentes níveis de cargas no desenvolvimento inicial do milho

06/10/2017

Para obter uma lavoura de milho com estande adequado, e consequentemente, com elevadas produtividades, é fundamental que seja dada especial atenção à semeadura, operação que define o sucesso ou o insucesso do sistema de produção agrícola. Os erros ocorridos durante essa etapa são identificados somente após a emergência, e podem dificultar as operações subsequentes, resultando em perdas significativas na produção.

São vários os fatores que interferem na qualidade da semeadura, tais como a profundidade e velocidade de semeadura, bem como, as características físico-químicas do solo.

Para a operação de semeadura resultar em estabelecimento rápido e uniforme da população de plantas, é fundamental que o solo apresente condições físicas favoráveis à germinação e emergência das sementes, ou seja, condições de temperatura e aeração adequadas, que possibilitam a absorção de água e nutrientes; bem como, o solo deve apresentar atributos desejáveis ao desenvolvimento radicular, permitindo a raiz explorar em profundidade um maior volume de solo, aumentando-se assim o seu acesso à água e aos nutrientes, de modo a reduzir os riscos de déficit hídrico e nutricional, respectivamente.

Diante do exposto, ressalta-se, a importância do uso adequado de máquinas, implementos, e, ferramentas para a operação de semeadura, bem como a regulagem e ajuste correto dos mesmos. O uso adequado do maquinário agrícola melhora a estrutura física do solo, influenciando na atividade microbiana, na temperatura e na aeração, que gera, por sua vez, efeito positivo sobre a infiltração, armazenamento, e, evaporação de água pelo solo, propiciando bom desenvolvimento da cultura.

As rodas compactadoras das semeadoras são componentes que proporcionam um melhor contato das sementes com o solo por meio da aplicação de pressão exercida lateralmente sobre a linha de semeadura, ocasionando leve compactação, mas permitindo que o solo, mesmo disposto diretamente sobre a semente, fique solto o suficiente de forma a envolvê-las completamente, melhorando a absorção de água e garantindo a germinação.

Entretanto, a influência da carga das rodas compactadoras sobre o solo ainda possui divergências de informações; pois, a pressão aplicada sobre o solo pode, ou não, ser benéfica para a semente, dependendo do nível de pressão exercida. Ou seja, se insuficiente, essa carga não permite que o solo firme-se em torno da semente, ocasionando a formação de crostas no solo, dificultando a germinação da semente e consequentemente, a emergência. Caso contrário, se a compactação for excessiva, ocorre redução da porosidade do solo e aumento da densidade do mesmo, e a emergência também é prejudicada, devido a menor infiltração de água no solo e maior resistência da plântula em romper a camada compactada.

Dessa forma, sabendo-se que a roda compactadora tem grande influência no resultado final da semeadura, foi realizado um trabalho por meio do qual objetivou-se avaliar o desenvolvimento inicial de plântulas de milho submetidas a diferentes níveis de carga na roda compactadora na semeadura do milho.

O ensaio foi realizado na área experimental do Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias do Campus da UNESP do município de Jaboticabal – SP.

A área do ensaio é denominada de pista de ensaio, que permite o desenvolvimento de ensaios de alta precisão em condições simuladas de campo, e, consiste em 3 faixas de solo limitadas por trilhos, sobre os quais desloca-se um trole ao qual pode-se acoplar acessórios como plaina niveladora, sulcador, e, a roda compactadora. Cada faixa entre os trilhos, são disposta no sentido leste-oeste, com 1,40 x 24 m, sendo esta plana.

O preparo do solo foi realizado 2 dias antes da instalação do experimento, com enxada rotativa de um micro-trator denominado tobata, em que a profundidade media da mobilização foi de 15 cm em relação ao nível do solo mobilizado. Após esta mobilização o solo foi nivelado com o auxílio da plaina niveladora acoplada ao carrinho da pista, apresentando-se então pronto para a instalação do ensaio. Foram utilizadas sementes de milho híbrido geneticamente modificado – tecnologia VT PRO 2TM produzidas pela empresa Agroeste. Estas sementes já vêm tratadas com inseticidas, fungicidas e aditivo.

Após a demarcação das parcelas, acoplou-se no carrinho da pista um sulcador dotado de régua milimetrada, sulcando todas as parcelas a uma mesma profundidade, de 5 cm. Em seguida uma trena foi esticada na linha de plantio de cada parcela e a semeadura foi realizada de 10 em 10 cm.

A compactação do solo sobre as sementes foi realizada com uma roda compactadora cilíndrica, de alumínio, que possui 40 cm de diâmetro e 10 cm de largura, pesando com o suporte deslizante 6 kgf. Então, para se obter as cargas estáticas de 50, 100 e 150 Kgf, foram adicionadas sobre a plataforma do suporte, lastros de chumbo com os respectivos pesos. Durante a realização da compactação a roda desloca-se com velocidade constante de 0,37 m/s, esta operação foi realizada logo após o fechamento manual dos sulcos, mantendo-se a roda no centro das fileiras. Após a compactação, para garantir a emergência, realizou-se uma irrigação levando o solo a capacidade de campo.

Além das diferentes cargas, realizou-se o tratamento das sementes, antes da semeadura com duas fontes de Zinco, com intuito de fornecer o micronutriente as primeiras raízes e verificar possíveis efeito negativos quanto a emergência e geminação provenientes do tratamento de sementes. Sendo assim, o delineamento experimental adotado foi de parcelas subdivididas, com três repetições em um esquema fatorial 3x4, sendo duas fontes de zinco (sulfato, óxido de zinco) e sem adição de zinco e quatro cargas na semeadura (0, 50, 100 e 150 kgf). A semeadura foi realizada dia 22 de janeiro de 2016. O tratamento das sementes com zinco foi realizado no momento da semeadura, com 2g kg-1 de semente.

 

RESULTADOS OBTIDOS

Para analisar o efeito dos diferentes níveis de carga, e, do tratamento de semente com zinco, no desenvolvimento inicial de plântula, foram avaliadas variáveis como:  número médio de dias para emergências das plântulas (NDE), diâmetro do colmo (DC), comprimento da parte aérea (CPA), massa seca e fresca da parte aérea, apresentadas na Tabela 1.

Assim, verifica-se, então, que não houve interação significativa entre os níveis de carga e nenhuma das variáveis analisadas. Ou seja, diferenças de carga aplicadas sobre as rodas compactadoras, não apresentaram correlação com o desenvolvimento inicial das plântulas, sendo estes fatores independentes, indicando que o contato do solo-semente, necessário para a embebição da mesma e início de germinação, foi satisfatório para todos os níveis de carga testados, pois as sementes apresentaram alta porcentagem de germinação, e bom índice de velocidade de emergência.

 

Tabela1. Número médio de dias para emergência (NDE), diâmetro de colmo (DC), comprimento de parte aérea (CPA), em função do tratamento de sementes com zinco e da carga na roda compactadora.

Cargas na roda (C)

 

NDE

DC

CPA

MSPA

MFPA

 

(Kgf)

(DAS)

  -----------(cm) ------------  

    ------------ (g) -----------

 

0

6,00 a

7,37 a

20,96 a

32,83 a

168,16 a

 

50

6,22 a

7,30 a

21,60 a

36,83 a

165,00 a

 

100

6,11 a

7,64 a

21,59 a

36,83 a

178,50 a

 

150

6,11 a

7,85 a

20,62 a

35,16 a

185,00 a

 

Teste F

0,55NS

0,46NS

0,98NS

0,76NS

0,74NS

 

Sulfato

5,91 a

7,49 a

20,94 a

35,00 a

169,75 a

 

Oxido

6,16 a

7,59 a

21,45 a

35,83 a

178,58 a

 

Teste F

2,70NS

0,06NS

1,07NS

0,15NS

0,68NS

 

Interação CxT

1,59NS

0,47NS

0,47NS

1,42NS

0,13NS

 

DMS

0,47

0,79

1,05

4,65

23,05

 

CV (%)

5,98

12,03

5,67

15,02

15,11

 

                     

NS: não significativo (P>0,05); *: significativo (P<0,05); **: significativo (P<0,01); C.V.: coeficiente de variação

 

Quanto a germinação e ao número de dias para emergência citados acima, a não interferência entre estes parâmetros e os níveis de carga, está diretamente relacionada ao contato com a semente-solo, reforçando a importância de um solo bem preparado para operação de semeadura, que neste caso foi realizado por meio de uma enxada rotativa (tobata).

A principal característica desse preparo de solo é o alto nível de desagregação do solo, o que reduz a incidência de bolsões de ar, que atrapalham o contato solo-semente. Entretanto, deve-se tomar cuidado quando se prepara o solo com este equipamento, uma vez que este fica predisposto a ocorrência de erosão por estar mais solto.

Outro fato que contribuiu para a boa emergência está associado ao fator umidade do solo. O fator umidade do solo permite a reidratação das células das sementes, de modo que elas se iniciam o processo de emergência e germinação mais rápido, reduzindo falhas e redução de estande.

Desta forma, com base nos resultados, vale-se ressaltar que se o solo estiver com alta umidade, o fator carga vertical pouco afeta a emergência das plântulas de milho, quando semeadas a uma profundidade de 5 cm, tendo em média 6 dias para emergência das plântulas. Porém, é comum encontrar no campo sementes de milho com emergência média de 4 dias, tal fato se deve a diversas condições, tais como umidade e temperatura do solo, profundidade de semeadura, e bem como o potencial genético do híbrido utilizado.

Outro fator que deve ser associado a utilização de cargas na roda da semeadora é a zona de compactação que a compressão pode gerar sobre a semente, uma vez que quando se utiliza elevadas cargas em solos mais úmidos, tendem a criar uma crosta que pode impedir a emergência das plântulas. Esse fato é ainda mais pronunciado em solos argilosos, onde a crosta será mais difícil de ser rompida. Via de regra, solos mais revolvidos tendem a se compactar mais, pois a sua desagregação é maior. Este fato não ocorreu no presente trabalho, mesmo sendo o preparo realizado por enxada rotativa.

Embora as interações das diferentes cargas de compactação em função do tratamento de sementes com zinco não tenham apresentado correlação com o desenvolvimento inicial das plântulas, observou-se que a combinação da menor carga utilizada com oxido de zinco proporcionou plantas com maior comprimento de parte aérea, demonstrando que o menor nível de carga apresentou efeito benéfico na extração de nutrientes e água pela sementes, e consequente bom desenvolvimento. 

Assim, o sucesso de uma cultura depende de uma boa semeadura, tendo as semeadoras-adubadoras um papel muito importante na obtenção do estande adequado de plantas, na melhoria da capacidade operacional, e, na garantia de melhores produtividades. No entanto, esses benefícios podem ser anulados devido à má utilização das máquinas e equipamentos, ou por uma deficiência das regulagens dos componentes.

Além disso a adubação equilibrada, o controle da velocidade e profundidade de semeadura, a regulagem das rodas compactadoras, devem ser realizados de forma criteriosa para que não ocorram erros que comprometam o estabelecimento da cultura.

 

 

Lígia Negri Corrêa ¹

Paulina Diniz Junqueira ¹

Adão Felipe dos Santos¹

Luan Pereira de Oliveira¹

Caio César Soares Biancardi²

Rouverson Pereira da Silva¹

Cristiano Zerbato¹

 

¹Laboratório de Máquinas e Mecanização Agrícola – LAMMA, Unesp-Jaboticabal, SP

²Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, Alegre - ES.